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A favor da vida - Por que não ao aborto?

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“Há aqueles que se bastam com o grão de mostarda e aqueles que necessitam do Cosmos. Há aqueles que creem sem saber e aqueles que sentem a necessidade de saber para poder crer.”  Nas palavras do espírito Bezerra de Menezes, existem seres que em contemplando a beleza da semente pequenina da mostarda, entende o valor da Vida na sementinha que traz a árvore em latência. Outros necessitam de entender o universo, aprofundando-se em sua vastidão, para compreender suas leis. Assim ocorre muitas vezes conosco, que não podemos prescindir de estudar para respeitar as formas diversas da Vida planetária. 

 A vida enquanto condição biológica – orgânica, começa na fecundação, segundo o conhecimento da embriologia, estudada na biologia. “A fecundação é o marco da VIDA”, afirma o geneticista  Jérome Lejeune . A vida enquanto condição existencial espiritual pré-existe à fecundação. Somos seres imortais,  vivendo experiências limitadas no corpo orgânico. Sem dúvida, a Vida é condição muito preciosa e complexa, fugindo à nossa compreensão. Mas mesmo assim, podemos refletir sobre suas manifestações, como se estabeleceu no planeta Terra, como se perpetuou. Só assim, poderemos  entender melhor determinados detalhes de como chegamos até aqui, utilizando a encarnação – a Vida em Espírito na Vida Orgânica.  Neste momento, necessitaremos rever alguns conceitos da biologia, de maneira muitíssimo resumida aqui.

Sabemos que para a Vida se estabelecer neste planeta houve uma jornada que durou milênios, com inúmeras tentativas, com erros e acertos, obedecendo às leis onde deveria prosperar o melhor modo adaptativo, com a melhor eficiência possível e o menor gasto de energia. Então, os primeiros organismos a aparecer na crosta da Terra foram os seres dotados de uma única célula. A multiplicação desta célula ocorria, a exemplo das bactérias atualmente, com divisão simples (binária) da célula mãe, gerando duas células filhas idênticas, com mesmo material genético, sendo clones da matriz que as gerou. Posteriormente, milênios se passaram, surgiram os seres multicelulares (com varias células), onde a divisão ocorria por brotamento de uma parte do indivíduo, um apêndice, que posteriormente se solta e assume vida independente, mas ainda resulta em um descendente idêntico ao ser genitor. Esta maneira de multiplicação e manutenção da Vida é chamada de reprodução assexuada, pela inexistência de gametas, que trazem material genético diferente. Exemplos atuais de reprodução assexuada, no processo de brotamento, são os fungos e as algas. Outros exemplos utilizados na agricultura, com vegetais em multiplicação por estaquia, ocorre com a mandioca e a cana de açúcar. Na reprodução assexuada o material genético será o mesmo, existindo pouca possibilidade de variabilidade genética e, consequentemente fenotípica – na forma dos seres!

 

Mas nosso planeta possui uma diversidade imensa de tipos de seres, com milhares de espécies diferentes, com material genético e formas muito diversificadas. Basta que atentemos para a variação de nossos queridos animais domésticos, os cães e os gatos. A natureza do planeta necessitou experimentar e testar múltiplas possibilidades e a forma de reprodução que gerou maior variabilidade genética, maior número de espécies e maiores formas dos seres foi a reprodução sexuada, onde cada genitor da mesma espécie, possui material genético diferente, que através da mistura deste  material genético (nos gametas), permite a geração de indivíduos únicos. A união das células gametas é chamada de fecundação. Então, a fecundação, que ocorre nas plantas e nos animais, é muito vantajosa para as espécies, diversificando muito a forma dos seres e a carga genética ofertada para cada descendente. Os filhos tem maior diversidade nas suas formas, com maior capacidade de se adaptar ao meio ambiente, possibilitando maiores chances de sobreviver frente à lei da seleção natural - Muito inteligente! 

Mas a reprodução sexuada, embora muito mais vantajosa, demanda um gasto energético muito maior que a reprodução assexuada.

Com o tempo, os seres foram desenvolvendo estratégias as mais variadas, garantindo a permanência de seus descendentes de maneira cada vez mais segura no planeta. O local onde os gametas masculino e feminino realizam a união, a fecundação, também traz vantagens competitivas para os descendentes, onde a união pode ser externa, no meio ambiente, ou pode ser interna - em relação ao corpo do indivíduo que possui o maior gameta, geralmente o gameta feminino. No caso da fecundação externa, o custo energético é muito grande, a exemplo de sapos e de muitos peixes, necessitando ser jogado no ambiente um número enorme de gametas que aguardam a fecundação de maneira casual, onde somente uma pequena quantidade originará indivíduos adultos.

Naqueles animais onde a fecundação é interna, o gasto de energia na produção de gametas é menor e o custo em manter o embrião dependerá se o embrião crescerá dentro ou fora do organismo, com ou sem ovo. Exemplos de desenvolvimento fora do organismo – ovíparos (coloca ovos) – aves, insetos, répteis. Nesses casos, os embriões serão nutridos bom tempo por material existente no próprio ovo e os genitores deverão investir nos cuidados com ovos e alimentação após o nascimento. O filme “A Marcha dos Pinguins” demonstra todo o trabalho dos pais-pinguins com o ovo único. Os Tubarões e algumas cobras mantem os ovos até a eclosão dos novos indivíduos dentro do organismo – são os ovivíparos. Naqueles animais onde os embriões se desenvolvem dentro do organismo feminino (que detém o maior gameta, com maior reserva de energia), mas sem ovo, são chamados de vivíparos, temos  como exemplos muitas espécies no nosso circulo de vida diária: o cavalo, o gato, o cão, o rato, e nós! O custo energético neste caso é alto, pois as fêmeas investem energia na nutrição e no desenvolvimento do embrião dentro de seus corpos, mas essas espécies podem gerar maior número de embriões, pois eles têm maiores chances de sobrevivência. O “cuidado parental” - cuidado dos pais, também garante maiores possibilidades do futuro filho vigar. É interessante ressaltar que a maturidade do recém-nascido varia conforme as condições dos pais em assegurarem cuidados aos filhotes recém-nascidos, principalmente maturidade da mãe. Por exemplo, no ser humano o recém-nascido é totalmente dependente de sua mãe, que tem a capacidade plena de cuidar, nutrir e proteger o filhote por longo tempo, bem diferente dos cavalos, onde o potro logo fica em pé e caminha ao lado dos outros. Morreria se nascesse como o nosso bebê humano...

Observamos, desta maneira, que a natureza dotou os seres vivos da capacidade de manter a perpetuação da sua espécie, de uma maneira segura e eficaz. Foi um investimento muitíssimo grande, criando uma programação de desenvolvimento comum a diferentes espécies, que pudesse ser eficiente e menos dispendiosa possível, realizada ás custas de muitas vidas e muitas experimentações, ao longo de milênios e mais milênios, a fim de chegarmos onde estamos.

Então, voltando à questão: “A favor da vida – Porque não ao aborto?”, podemos neste breve relembrar da história biológica, perceber que uma gestação não é simplesmente o produto de duas pessoas, que o ser que está sendo gerado não pertence à mãe (nem ao pai...), simplesmente por estar utilizando o útero materno como estratégia de nascimento. O útero pertence à mulher, mas o embrião pertence à espécie, à natureza, representada também por todos os seres que forneceram suas vidas para o desenvolvimento desta programação evolutiva de permanência da espécie no planeta.

Mas avancemos. A Vida enquanto condição eterna, espiritual, não começa com a fecundação, pois o ser espiritual já existia em outra dimensão, a dimensão espiritual, no plano astral. Existimos desde que Deus nos criou e existiremos sempre, eternamente. Esta é a grande dádiva de Deus para suas criaturas: a imortalidade – patrimônio absoluto do espírito - A VIDA DO ESPÍRITO. Somos espíritos eternos vivendo uma experiência humana, maravilhosa e limitada. Morreremos enquanto organismo, todos nós, mas manteremos nossa identidade para além desta existência, nossa individualidade. Permaneceremos!

Se não somos donos do embrião, segundo as leis da natureza, segundo as leis espirituais também não o somos. Cada um se pertence a si mesmo. Ninguém é dono de ninguém. O espírito quando vem encarnar entre nós, já possui uma histografia espiritual, uma história longa de muitas vidas já vividas, diversas encarnações, inúmeras experiências. Vem para aprender mais, desenvolver-se em sabedoria e amor. Cada nova vida orgânica, um novo projeto existencial – a vida é uma escola, a encarnação é um curso com prazo limitado. Faremos inúmeros cursos, quantos forem necessários, pois somos um Projeto Divino de longo prazo, com leis imutáveis agindo sobre nós, proporcionando a realização deste projeto. Desta maneira, é importante compreendermos que quando interrompemos o projeto existencial de aperfeiçoamento e desenvolvimento de alguém através do aborto, transgredimos a lei, nos tornamos infratores desta lei.  No Livro dos Espíritos, a pergunta 358, “O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?” Resposta: “Há sempre crime quando se transgrida a lei de Deus. A mãe ou  qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento.”

Cada espírito encarnado necessita realizar as experiências que competem a ele, de acordo com a histografia de suas encarnações, com suas virtudes e defeitos, com o que aprendeu ou ainda compete aprender em suas experiências futuras. Quando impedimos alguém de realizar seus planos legítimos de ascensão espiritual, aniquilando a vida do feto, passamos a ser responsáveis pela criatura a quem prejudicamos que, por questão da lei de ação e reação, nos ligando em vibrações mentais com ele, sofrendo suas dores, dificuldades e desequilíbrios, ao longo de muito tempo. Este processo interfere no equilíbrio mental e físico das pessoas que incentivaram a interrupção da gestação. O ser que vem reencarnar, na maioria das vezes, tem um histórico relacionado com o casal e a aproximação é necessária para o futuro da família. A interrupção da gestação através da morte do feto poderá adiar compromissos assumidos antes da família encarnar, gerar animosidade e mágoas de difícil solução por parte do prejudicado – o ser que estava encarnando, o feto, podendo causar inclusive obsessão para os que cometeram o aborto.  Lembremo-nos das palavras de Jesus: “Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem”.

Importante lembrar àquele que cometeu ou incentivou o aborto, mas sentem-se arrependido, pois está mais esclarecido: você tem hoje a oportunidade de modificar seu padrão mental, auxiliando a vida de tantos que se encontram em aflições, muitos sem lar, abandonados na infância ou na velhice, oferecendo auxílio e conforto. Desta maneira, estará reorganizando a sua mente no amor e no bem, criando empatia espiritual naquele ser desencarnado, onde havia mágoa e ódio, possibilitando a reconciliação no futuro.

“O amor cobre uma multidão de pecados” e Deus convida sempre ao amor.

Amigo e Irmão: que vivamos em paz! Deixemos a Vida seguir seu curso milenar!

Rosane T. Gonçalves - médica,  AME-SC